Diferenças em digitais e assinaturas levaram polícia a descobrir fraude em concurso da PM do Tocantins
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Delegado dá detalhes sobre operação contra fraude no concurso público da PMTO
Durante as investigações da fraude no concurso da Polícia Militar do Tocantins foi identificado que digitais e assinaturas dos candidatos inscritos não eram compatíveis com os registros de documentos coletados durante as provas. Segundo a Polícia Civil, cinco candidatos teriam pago outras pessoas para fazer as avaliações da primeira etapa da seleção.
A polícia conseguiu identificar a diferença por meio de exames papiloscópicos que analisaram as digitais colhidas no dia da prova e exames grafotécnicos que constataram a divergência nas assinaturas em diferentes etapas do concurso.
"Nós confrontamos as digitais que foram colhidas no dia da realização da primeira etapa e também das digitais coletadas na segunda etapa, fazendo a confrontação, a papiloscopia identificou que elas eram divergentes. A Polícia Civil afirma com muita tranquilidade, baseada em laudos técnicos, que a pessoa que realizou a primeira etapa não é a mesma pessoa que realizou a segunda etapa", explicou o delegado Claudemir Luiz em entrevista à TV Anhanguera.
LEIA TAMBÉM
Operação investiga indícios de fraude no concurso da Polícia Militar do Tocantins
Justiça dispensa testemunhas em ação de motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano; entenda
A operação foi realizada, na manhã desta quarta-feira (18), em Pernambuco, Paraíba, Pará e Goiás. Foram cumpridos oito mandados de prisão e nove de busca e apreensão domiciliar.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que está fornecendo as informações necessárias para apuração dos fatos e que as suspeitas das condutas de alguns candidatos não impactam todo o concurso (veja nota completa abaixo).
A Polícia Militar do Tocantins informou que os indícios de irregularidade foram identificados pela Comissão Organizadora do Concurso, que compartilhou as informações com a Polícia Civil do Tocantins. A PM também disse que "as suspeitas referem-se a condutas individuais, não havendo qualquer comprometimento da lisura do certame como um todo" (veja a nota completa abaixo).
Documentos apreendidos com suspeito durante operação
SSP-TO/Divulgação
Policiais são suspeitos de envolvimento
As investigações são referentes à primeira fase do concurso da PM, realizada em 15 de junho de 2025. Conforme o delegado, não houve contaminação do concurso ou vazamento de prova e questões.
Cinco candidatos são suspeitos de contratar os serviços do grupo criminoso. Outros três homens, sendo um agente socioeducativo no Distrito Federal, um policial rodoviário federal lotado em Marabá (PA) e um ex-policial militar da Paraíba, são apontados como integrantes do suposto esquema.
"Pessoas com bom conhecimento teórico que, infelizmente, se desviaram da função pública para entregar uma organização criminosa e atuavam nessa prática de fraudes", disse o delegado.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, por isso o g1 não conseguiu contato com as defesas deles.
A Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal informou que acompanha a situação com rigor e que o caso já foi encaminhado para a Controladoria Setorial da Sejus. "Caso o envolvimento do servidor seja formalmente confirmado, todas as providências administrativas cabíveis serão rigorosamente adotadas, respeitando o devido processo legal" (veja nota completa abaixo).
A Polícia Rodoviária Federal do Pará disse que prestou apoio durante a operação, acompanha as investigações e apoia as instituições que apuram as supostas fraudes em concurso público (veja nota completa abaixo).
O concurso teve mais de 34 mil inscrições e ainda está em andamento. Ainda não houve divulgação da classificação final ou convocações.
Íntegra na da nota da Polícia Militar do Tocantins
A Polícia Militar do Tocantins informa que, ao identificar indícios de possíveis irregularidades relacionadas à conduta de alguns candidatos inscritos no concurso público da Corporação, adotou imediatamente as providências administrativas e institucionais cabíveis para resguardar a legalidade e a lisura do certame.
A situação foi detectada no âmbito da Comissão Organizadora do Concurso da Polícia Militar, que procedeu à análise preliminar das informações e realizou o compartilhamento dos dados com a Polícia Civil do Estado do Tocantins, possibilitando a adoção das medidas investigativas pertinentes pelos órgãos competentes.
A atuação institucional teve como objetivo garantir a transparência do processo seletivo e preservar a integridade do concurso público, reforçando o compromisso da Polícia Militar com a legalidade, a ética e a seleção de profissionais qualificados para o serviço público.
A Polícia Militar do Tocantins destaca que as suspeitas referem-se a condutas individuais, não havendo qualquer comprometimento da lisura do certame como um todo.
A Corporação permanece colaborando com as investigações em andamento e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a confiança da sociedade tocantinense em seus processos institucionais.
O caso segue sob apuração pelos órgãos competentes.
Íntegra da nota da FGV
A Fundação Getulio Vargas (FGV) tem atuado em cooperação com a PMTO, fornecendo as informações necessárias para a adequada apuração dos fatos.
As suspeitas dizem respeito a condutas individuais, sem impacto sobre o conjunto do certame. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência e a integridade de seus processos.
Íntegra da nota da Sejus do Distrito Federal
A Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (SEJUS-DF) informa que acompanha com rigor a situação envolvendo o suposto envolvimento de um agente socioeducativo em uma operação policial deflagrada no estado do Tocantins.
Ressaltamos que o caso já foi encaminhado preventivamente à Controladoria Setorial da SEJUS para a apuração dos fatos. A Secretaria reitera seu compromisso com a ética e a transparência pública, assegurando que, caso o envolvimento do servidor seja formalmente confirmado, todas as providências administrativas cabíveis serão rigorosamente adotadas, respeitando o devido processo legal.
Íntegra da nota da PRF do Pará
A Polícia Rodoviária Federal no Pará (SPRF/PA) informa que deu apoio, na última quarta-feira (18), à Operação Última Etapa, da Polícia Civil de Tocantins (PCTO), que investiga supostas fraudes em concurso público da Polícia Militar (PMTO).
No Pará, a participação da PRF ocorreu em apoio ao cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas (TO). Entre os investigados pela operação está um policial rodoviário federal que trabalha no Pará.
A PRF acompanha as investigações e apoia as instituições que apuram as supostas fraudes em concurso público.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.